A cidade de São Cristóvão, a cerca de 23 kms de Aracaju e fundada em 1590, foi a primeira capital de Sergipe e é a quarta cidade mais antiga do Brasil.
A cidade sofreu sucessivas mudanças até se estabalecer no local atual, em 1607, à margem do rio Paramopama. Ela foi palco de lutas violentas, causadas pela invasão dos holandeses, em 1637, que quase a destruíram por completo. Começou a ser reerguida em 1645, e em 1657chegaram à cidade os franciscanos, que deram a São Cristóvão o mais expressivo conjunto arquitetônico remanescente da cidade: a Praça de São Francisco.
Esta praça é a representação de um momento especial da história brasileira. Começou a ser construída no período conhecido como União Ibérica, quando Portugal e Espanha estiveram unidos sob uma mesma coroa (entre os anos de 1580 e 1640), e é a única expressão no Brasil do traçado urbanistico de origem espanhola.
Além de ser importante do ponto de vista arquitetônico, é centro de manifestações culturais, religiosas e festivas da cidade. Lá diversos grupos folclóricos se reúnem, são realizadas serestas, danças de frevo, forró, e são comemoradas datas como Carnaval e festas de São João.
Na Praça de São Francisco destacam-se: Igreja e Convento de Santa Cruz, também conhecidos como Igreja e Convento de São Francisco; Museu de Arte Sacra de São Cristóvão; Santa Casa e Igreja da Misericórdia; Museu Histórico de Sergipe - antigo Palácio Provincial.
Igreja e Convento São Francisco, datados de 1693
A igreja possui pórtico formado por quatro arcos em pedra e é fechado por gradil em ferro. No interior, a capela-mor possui altar com dossel sustentado por colunas torsas com entalhamento dourado e nicho central. As tribunas possuem balaustrada em madeira, o púlpito é em madeira decorada e o coro também possui balaustrada em madeira. Na sacristia há um precioso lavabo de pedra calcária trabalhada, datado de 1725.
O Convento está localizado à direita da igreja. A pedra fundamental para o convento foi lançada em 1693 e o capital investido na construção foi conseguido através de esmolas recolhidas entre a população da cidade.
Durante o século XIX as instalações do convento foram utilizadas pela Assembléia Provincial, bem como pela Tesouraria-Geral da Província. As tropas que foram combater os revoltosos de Canudos, em 1897, ficaram hospedadas naquele local.
Em meados do século XIX, a primeira torre sineira ameaçou desabar, porque sua base era de adobe (uma espécie de tijolo de argila crua) e não suportava seu peso. O governo estadual da época resolveu construir uma nova torre. Porém, com a mudança da capital para Aracajú, a segunda torre não foi terminada e a construção ficou abandonada até 1902. Quando o governo autorizou a entrada de padres alemães no Brasil, o convento foi restaurado e a torre sineira finalizada em 1908. Entretanto, sua forma lembrava um capacete antigo, razão pela qual o frei italiano Raffand novamente a reformou em 1938, dando-lhe uma feição art déco. Mas sua estética art déco, em contraste com o estilo colonial do conjunto franciscano, levou o IPHAN a retirá-la. A atual torre foi erguida em 1943, cujo estilo melhor se integrou ao conjunto arquitetônico.
Em frente ao convento há um cruzeiro com base de pedra e cruz de madeira.
Museu de Arte Sacra
Localizado na ala esquerda do convento, foi inaugurado em 1974, por iniciativa da Arquidiocese de Sergipe. Tendo a função de preservar o patrimônio sacro de Sergipe, este museu expõe um acervo considerado o terceiro mais importante no Brasil em número e qualidade de peças de arte sacra: mais de 500 peças banhadas em prata e ouro, do século XVII ao XX.
Anexo ao Museu há uma capela do século XVIII com imagens como um Santo do Pau Oco - utilizado no período colonial para esconder ouro e pedras preciosas contrabandeadas para Portugal - turíbulos e móveis do período colonial. Dentre as imagens destacam-se também a de Nossa Senhora da Vitória, padroeira da cidade, da Sagrada Família e do Cristo Crucificado.
Antiga Igreja e Santa Casa de Misericórdia
Conjunto barroco construido no século XVI e primeira metade do século XVII. Atualmente a igreja abriga o Orfanato e Colégio Imaculada Conceição, administrados pelas Irmãs Clarissas Concepcionistas, e servem de escola de ensino fundamental e asilo para freiras idosas.
O Hospital da Misericórdia funcionava na época da visita de Dom Pedro II em 1860.Porém, em torno de 1870, o hospital perdeu a subvenção governamental, da qual ficara dependente desde a independência do país, por ter ficado anos sem "médico ou botica", portanto, sem ter tido condições de prestar serviços aos enfermos. Foi fechado pouco tempo depois. A partir de 1922 as Irmãs Missionárias da Irmandade Conceição Mãe de Deus começaram a administrar e utilizar o prédio. Nesse periodo iniciou-se o funcionamento do orfanato.
A igreja e a ala do antigo hospital são ligadas pela torre sineira e este conjunto forma um pátio interno quadricular com jardim e partes cobertas. No interior da capela da igreja e ao fundo do altar-mor neoclássico, destaca-se a tela a óleo denominada "A Visitação", cuja autoria é atribuída ao pintor baiano José Theófilo de Jesus.
Palácio Provincial, onde está instalado o Museu Histórico de Sergipe
O Palácio Provincial serviu de residência para o Imperador Pedro II quando em visita à cidade, em 1860, e o Museu Histórico é considerado um dos melhores museus do país. Data do século XIX e possui elementos de decoração neoclássica. É um museu eminentemente eclético, sendo que a maioria das peças está ligada à fase do Brasil Império. Dentre elas destacam-se: cofres, canhões, coleções de armas antigas, cadeiras de osso de baleia e um quadro de D. Pedro II e da imperatriz Tereza Cristina.
Outros destaques
Casario antigo Na cidade são comuns casas com portas e janelas estreitas, porque na época o imposto era cobrado de acordo com o tamanho da fachada da residência. Mas São Cristóvão tem alguns sobrados maiores, datados dos séculos XVII e XIX. O Sobrado do Balcão Corrido, no centro histórico, foi construído em estilo colonial, com forte influência mourisca. Na sua construção foi utilizada taipa em quase toda a sua totalidade, mas na confecção do frontispício e de alguns pilares utilizou-se alvenaria de pedra ou tijolo. O sobrado apresenta, em toda a fachada principal do andar superior, um balcão de madeira com entalhamento em volutas e motivos florais. O acesso à varanda é feito através de portas de folhas lisas, em arco abatido. No piso inferior existem portas não alinhadas com as de cima, no mesmo estilo.
Doces São Cristóvão tem tradição na fabricação de doces típicos da região. Destaque para as queijadas, doce típico português feito de coco, consideradas as melhores do Estado de Sergipe. Na sua fabricação é sempre utilizado o forno de barro e sua receita é passada de geração a geração em segredo, uma tradição da cidade. São também típicos os bricelets – biscoitos feitos de forma artesanal pelas freiras carmelitas.
Grupos folclóricos Caceteira, Chegança, Samba de Coco, Dança do Langa, Reisado, São Gonçalo, Taieira, entre outros.
Economia Além do turismo cultural, são destaques a agricultura (cana-de-açúcar), a indústria da pesca (peixes, mariscos e camarão) e a pecuária (bovinos).
Religiosidade Procissão de Senhor dos Passos: no segundo domingo da quaresma os fiéis saem em procissão para agradecer as graças alcançadas e também para fazer novos pedidos ao Senhor dos Passos;
Procissão de Nossa Senhora da Vitória: Nossa Senhora da Vitória é a padroeira de São Cristóvão. No dia 8 de setembro a imagem da santa é carregada pelos seus devotos pelas ruas da cidade;
Procissão do Fogaréu: na quinta-feira da Semana Santa os fiéis seguem uma imagem de Jesus, entoando canções religiosas com tochas e lanternas nas mãos, simbolizando os discípulos de Jesus em busca dos seus ensinamentos. Em seguida há uma encenação da Paixão de Cristo.